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E NAS BOCAS: FANTASMAS


light

Aí vem ele de novo, me assombrar. Tento ludibriar, finjo que não vejo, mas ele está lá. Incomoda, mas não consigo evitar. Sei que vai me perseguir, até que eu pare e ouça o que ele tem pra me dizer.

Há alguns anos ele tem aparecido; às vezes, de supetão; mas, infalivelmente, nessa época do ano, ele se apresenta. Impiedosamente. Começa a me rondar lá pelo final de Novembro, início de Dezembro. Fica insistente, irritante mesmo, na semana do Natal. Causa tamanha inquietação, que chega a me deixar com o peito oprimido, bem na entrada do Ano Novo!


Ele sempre me assustou, por isso sempre o evitei. Mas, a gente percebe que está ficando mais velho – melhor dizendo, mais “maduro” – quando o encara de frente. Eu ainda tento escapar, finjo que não é comigo, depois acabo cedendo.


Mas não cedo sem barganhar. Em troca do estrago que ele costuma fazer cada vez que nos confrontamos, eu quero serenidade. É por causa dela que tenho tomado coragem para enfrentá-lo, olho no olho.


Este ano, mais uma vez, lá vou eu! E sinto que, desta vez, com menos receio; pode ser que eu tenha perdido o medo do estrago. Vantagem da maturidade, talvez – pelo menos, uma!


Não falo do tempo, inexorável. Melhor tê-lo ao nosso lado, e torcer para que dure. Falo do fechamento de contas anual – o balanço da contabilidade emocional, o acerto de contas com os sonhos e os projetos, a avaliação de desempenho das metas alcançadas vs postergadas. A constatação do que não foi, e do que poderia ter sido…


O tempo tem passado cada vez mais rápido, e a sensação é que, se eu não correr, vai ficar tanto por fazer… Os últimos anos foram assim! Começavam e acabavam com o mesmo ponto de interrogação. Fiquei muito tempo à deriva, o tempo passando, passando, voando, e eu deixada pra trás. Sem nenhum troféu para exibir na estante das conquistas pessoais; sem realizações importantes para apresentar, orgulhosa, para o espelho.


Esses anos sem louros e sem glórias… foram anos providenciais! Anos de aprendizado, crescimento e descobertas, graças a um abençoado perrengue, narrado aqui. Depois disso, tudo o que veio foi lucro.


O acerto de contas deste ano foi menos penoso, muito embora eu não tenha sido eleita Miss Universo, nem presidente de nada. Não fiquei milionária nem troquei de carro. Ganhei algumas rugas, e a benção de só enxergá-las se estou de óculos. Ganhei calma…. presentão!! E mais fé na vida – uma hora, tudo se ajeita…


Os sonhos não realizados? Deixaram de ser peso para ser esperança. Continuam ali, vivinhos da silva. Matá-los seria suicídio. A pressa deixou de ser angústia para ser motivação; ela ainda está ativa, quer correr, fazer um monte de coisas ao mesmo tempo. Se ela não precisa descansar, então vamos nessa!


E os planos pra 2010? Talvez ser eleita Miss Universo, ou presidente de alguma coisa. Trocar de carro, quem sabe, e só colocar botox se substituir os óculos por lentes. Caso contrário, nem precisa; eu nunca me lembro onde eles estão, mesmo…


YES-I-CAN

Que o seu 2010 seja sereno, calmo, com a pressa na medida certa pra te impulsionar a realizar. E sonhos, muitos sonhos pra te alimentar!

Que você dê um baile nos seus fantasmas, que coloque-os pra correr. É tudo uma questão de perspectiva…

Mas, se estiver à deriva, trabalhe um pouquinho a auto-imagem. E leia o meu perrengue, quem sabe te inspire.

E… se precisar de uma Miss Universo ou presidente de alguma coisa, estou às ordens.


Por Liz Bittar em 17 de Dezembro de 2009

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por Liz Bittar
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