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E NAS BOCAS… “TÁ NA HORA, TÁ NA HORA…”

Written by lizbittar on novembro 16, 2009 under E as Bocas.


dilma+2010-300x237Nunca antes na história desse país a identificação de um governante com as massas foi tão intensa e cuidadosamente explorada quanto com o nosso habilidoso Lula. A velha retórica do pau de arara que chegou à presidência foi oportunamente retomada em entrevista à Rede TV neste domingo. A biografia do nosso popular presidente, mais precisamente a versão que deu certo, foi e será a pauta de outras tantas aparições públicas, exaustivamente repetida  especialmente nos meios de comunicação até 2010. Portanto, prepare-se: esta foi apenas a primeira de uma (nova) série.


Na chamada de capa da Rede TV, Lula é descrito como “um dos homens mais poderosos do mundo.” Por aí, já podemos imaginar o “tom” da entrevista, conduzida por Kennedy Alencar, em 3 blocos.


O foco central da conversa foi a história pessoal do presidente, com ênfase na infância pobre e nos anos (heróicos) de militância sindical. Os 27 minutos do primeiro bloco foram gastos com narrativas emocionadas do presidente sobre como sobreviveu às custas de feijão com farinha.  Dona Lindu mereceu destaque, assim como a trágica perda da primeira esposa.


Ok, você venceu. Sim, você, que acha que não há nada demais em mostrar o “lado humano” dos nossos dirigentes. Concordo com você, e me solidarizo inteiramente com a dor de sua perda. Isso não se questiona. Mas, quanto ao resto… ok, ainda que eu já tenha ouvido sua biografia uma ou duas vezes antes… tudo bem, não quero ser intolerante.


Vamos, então, seguir adiante. Ainda restam quase 30 minutos de entrevista e quero ver o que o segundo e o terceiro blocos nos reservam. Vamos lá! O segundo bloco começou e agora vamos ver Lula falar de…. sua ascensão política e militância sindical. Até que acho bacana enaltecer assim tão brilhante jornada, mas eu queria mesmo era ver um pouco de ação.


Não me decepcionei: o ousado repórter arriscou algumas perguntas sobre o mensalão  (sem muita insistência, porque o rapaz é tímido).  Lula falou então pelo menos uns 4 minutos inteirinhos sobre o tema, com uma resposta magistral: nunca antes na história desse país se viu tamanha tentativa de golpe! Isso mesmo – o mensalão talvez nem tenha existido (Lula deixou a dúvida pairando no ar) e disse que, muita coisa que sabe, só revelará depois que deixar a presidência. (Arrisco um palpite: Se conseguir fazer sucessor(a), vamos passar uma borracha nesse assunto de revelações bombásticas pós-presidência, combinado?)


Mas Lula foi muito claro quanto a uma questão: a culpa, companheiros, é da Zelite (pra você que ligou a TV agora: não se trata de nenhuma reprise de 2001, não – repare na barba, está mais grisalha).


A entrevista é comprovadamente recente, foi gravada esta semana. Prova é que não ficou sem resposta o artigo de FHC. Mas as críticas do ex-presidente receberam uma resposta à altura: “Fernando Henrique não pensa com a inteligência, pensa com o fígado”. Lula, como sempre, é imbatível! Fala, e o povo entende. O outrora garboso Fernando Henrique, virou invejoso. Agora não é mais charmoso, é rancoroso!  Ele e a Zelite não conseguem se conformar em “ver um peão chegar até aqui e fazer mais do que eles” . Ah, esse Fernando Henrique Vaidoso….


Ele e a Zelite. De novo a Zelite. Ô mulherzinha… Já tô vendo o slogan pra 2010:

“Tá na hora,  tá na hora
Tá na hora de lembrar
Ao povão que a Zelite
Só quer nos prejudicar…”


Mas o repórter nem mencionou 2010, imagine…  Aliás, são cruéis os que o chamam de chapa branca. Ele bem que fez algumas perguntas capciosas ao presidente. Sem o menor pudor, perguntou na cara dura: “Presidente, qual o seu diretor de cinema favorito?” Ah, precisava pegar pesado desse jeito? Lula titubeou, ficou meio nervoso, nem conseguiu lembrar o nome do Fabio Barreto, diretor da saga Lula, o Filho do Brasil. Atacou de Clint Eastwood, que fez aquele filme da menina que lutava boxe, lembra?


Sem esperar que Lula recuperasse o fôlego, o intrépido repórter atacou sem dó: “Qual o seu livro preferido?” (Ah, aí é sacanagem!). Mas o nosso bom e velho Chico (o Buarque) salvou a pátria. Talvez na hora Lula tenha se lembrado da Dona Lindu, dizendo que não adianta chorar sobre o leite derramado


Mas, a esta altura, o repórter estava incontrolável; sem dó nem piedade, deu o golpe final: “Presidente, qual o seu poema favorito?” Ah, eu mandava tirar esse cara do ar, como tiraram o Boris Casoy. Isso lá é pergunta que se faça?


Mas Lula manteve o auto-controle. A pergunta não ficou sem resposta, não. Lula mencionou um poema de Carlos Drummond de Andrade, talvez, chamado… er…hum…. “Namorar ou não namorar, eis a questão”. Disse até que ia tentar encontrar uma cópia e mandar pro repórter (desmoralizou o cara!)


Lula não estava falando de Shakespeare ou Drummond – acho eu. Ele se referia, mais provavelmente, a Arthur da Távola.


Mesmo pressionado como foi, com perguntas maliciosas e muito mal intencionadas, iludem-se os que pensam que podem colocar nosso presidente numa saia justa. Ele não pronunciou uma palavra sequer que não tivesse o olho em 2010. Como ainda não se encontrou uma biografia para Dilma que funcione tão bem quanto a dele, por enquanto é a dele mesmo que ainda está valendo. Mas, analisando a biografia recente da Ministra, e sem nenhuma maldade, vai aqui uma idéia (apenas uma idéia). Que tal “superação”? Olha que o tema, se bem trabalhado, dá um caldo…


Por Liz Bittar em 16 de Novembro de 2009




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por  Liz Bittar
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  • Roberto Recinella

    07/12/2009 às 11:53


    Liz ,

    Parabens pela aboradagem. Independentemente da nossa opinião o Lula conquistou o seu lugar a sobra e fez o seu papel.
    A historia irá julga-lo pena que isso demora um pouco.

    Mais uma eleição chegando e as mesmas figurinhas estão no processo.
    Será que vamos mesmo conseguir mudar esse pais?

    Sucesso

    Recinella

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