O FOGÃO E AS BOCAS
E se fosse comigo?
Posted on julho 24, 2010 by lizbittar
Um dia, quando menos se espera, pode acontecer. De madrugada, um telefonema. Do outro lado da linha, a voz embargada do filho: “Pai, vem me socorrer. Me envolvi em um acidente.” O susto é tão grande que você esquece de pedir detalhes. Ainda sonolento, tentando controlar o pânico, sai em di
O tempo não para!
Posted on maio 7, 2010 by lizbittar
Você fica olhando para o seu bebê por horas a fio, sentindo nada mais do que felicidade plena, e uma profunda paz? Você sorri cada vez que se lembra dele, cada vez que o vê, cada vez que o toca ou sente o seu cheirinho? Existe alguma coisa no mundo inteiro que consiga apagar o sorris
Poema Para Meu Filho
Posted on maio 7, 2010 by lizbittar
Você escreve cartas de amor? Eu escrevo, aos montes. Cartas, poemas, bilhetinhos. Despretensiosamente, quase uma catarse. Mas também recebo. Guardadas no coração, elas têm o poder de alimentar a alma por toda uma existência. Como a declaração de amor que encontrei ao despertar de uma feb
E NAS BOCAS… “O TAMANHO DA ENCRENCA”
Não fosse o roubo das provas – ou o vazamento da notícia – o ENEM teria sido aplicado, nos dias 3 e 4 de Outubro, a 4.147.527 de inscritos de todo o Brasil, em 1.829 cidades, com a mobilização de profissionais de 10.385 escolas, utilizando um total de 113.857 salas.
Parece estrago suficiente, mas não para por aí; veja o passo a passo do ENEM; quais os envolvidos no processo desde a concepção até a produção e distribuição das provas, e os prejuízos, tanto para o governo, quanto para os estudantes.
O Estadão publicou, em 01.10, este gráfico explicando as várias etapas do ENEM:
O ENEM foi criado em 1998 para avaliar o desempenho dos alunos que concluem o Ensino Médio e para servir como complemento aos processos seletivos: a nota do ENEM influencia o resultado das provas em diversas Universidades. Na USP, por exemplo, o vestibulando pode optar por utilizar ou não a pontuação do ENEM.
A prova é pré-requisito para solicitação da bolsa do ProUni, o Programa Universidade para Todos, que disponibiliza bolsas de estudo de até 100% para alunos de baixa renda.
Devido à mudança na data das provas, Universidades cobiçadas como USP e UNICAMP já informaram que não vão mais utilizar a avaliação do ENEM no vestibular de 2010.
Os mais de 4 milhões de estudantes pagaram R$ 35,00 pela inscrição, reembolsáveis caso não façam a nova prova. Os que já tinham viajado para os locais das provas, podem pedir ressarcimento de despesas, e os que perderem a segunda prova podem pedir indenização. Nada mais justo.
Na outra ponta, todo o investimento para a elaboração das provas: Milhares de profissionais envolvidos na concepção, produção e distribuição.
O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sempre foi o órgão encarregado da elaboração das provas do ENEM. Este ano, a pedido da ANDIFES (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), foi criado um Comitê de Governança, para discutir e acompanhar a elaboração do novo Enem e seu impacto no currículo do ensino médio. Integraram o Comitê de Governança representantes do Inep, do Ministério da Educação, da ANDIFES e do CONSED (Conselho Nacional de Secretários de Educação). Coube ao Comitê definir as diretrizes da prova (objetivos e conteúdos): a metodologia ficou, como sempre, a cargo dos especialistas do INEP.
Como mostra o gráfico acima, a prova é desenvolvida, e depois validada com revisão ortográfica e gramatical de cinco professores de português. Finalizado o processo, a prova é guardada a sete chaves.O interessante é observarmos todo o aparato em uma ponta, para depois ver como o processo termina, na outra.
Aí entra o Consórcio, denominado CONNASEL (Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção). Composto por 3 empresas inexperientes na realização de grandes concursos, cabia-lhes a logística, impressão e distribuição das provas, da seguinte maneira:
Como líder do consórcio, a CONSULTEC (Consultoria em Projetos Educacionais e Concursos) da Bahia, responsável por toda a logística. A FUNRIO (Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência), ligada à Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, assumiu a tarefa de montar e distribuir as provas para todo o país. O Instituto Nacional de Educação CETRO, de São Paulo, ficou responsável pelas provas a serem aplicadas nas penitenciárias.
Quanto à aplicação das provas: A baiana CONSULTEC ficou encarregada das regiões Norte e Nordeste. A FUNRIO ficou responsável pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste e a paulistana CETRO aplicaria a prova em presídios e hospitais. Antes, as três empresas haviam atuado principalmente em concursos públicos de pequena dimensão.
Mesmo assim, o Consórcio foi contratado a um custo de R$ 116, 9 milhões pelo serviço de impressão e distribuição das provas, sendo que R$ 1,3 milhão em custos fixos e o resto variável de acordo com o número de candidatos que efetivamente prestasse o exame. Com 4,1 milhões de inscritos, a remuneração variável cairia para cerca de R$ 80 milhões.
Cabia-lhe, por responsabilidade contratual, “manter, sob rigorosos controle e sigilo” todos os dados repassados pelo instituto. Também a “indenizar o INEP no caso de subtração de seus bens e valores, bem como por acesso indevido a informações sigilosas”. Também ficou responsável por “reparar todo e qualquer dano causado, inclusive a terceiros, pela execução inadequada dos serviços”.
O Consórcio depositou, como garantia pela qualidade do serviço, uma quantia de R$ 5,8 milhões.
Aí entra a Gráfica Plural, contratada pelo CONNASEL para a “impressão e acabamento de 2 provas, cada uma delas em diferentes versões, num total de aproximadamente 9,4 milhões de exemplares.”
Em Nota emitida pela empresa, a Plural alega que sua obrigação “consistia em imprimir as provas, grampeá-las e intercalar as diferentes versões em lotes, para posterior embalagem em caixas separadas por Estado da Federação. Não coube à Plural a separação das provas por escolas e salas de provas.”
Com todos os custos envolvidos, e os cuidados quanto à qualidade do conteúdo das provas, a segurança no sigilo dos dados, a garantia da Gráfica Plural de manter acesso restrito, sistema de vigilância por câmeras, além da segurança fornecida pelo CONNASEL, o método de distribuição das provas parece piada.
Depois de todo o esquema que lembra os filmes de James Bond, e com escolta fortemente armada, as provas foram levadas, cinco dias antes da data prevista para a realização do exame, sabe pra onde? Para a casa dos diretores e vice-diretores das escolas e faculdades responsáveis pela aplicação do ENEM!
Será que isso constava do contrato de R$ 116 milhões do CONNASEL? E será que ele foi aprovado, porque o MEC achou a idéia brilhante?
Com esse “sofisticadíssimo” sistema, as provas ficaram armazenadas “sem nenhum tipo de proteção profissional e sujeitas a furtos e extravios por qualquer pessoa que tivesse acesso à casa dos diretores e vice-diretores”, afirmou Gisele Gama, consultora do INEP.
“Cabia a esses diretores também o transporte das provas até o local do exame, no próprio carro e sem nenhum tipo de escolta”, completa. Mais uma vez, brilhante!
Isso, depois do edital feito pelo INEP para a licitação da entidade responsável pela realização do ENEM, prever expressamente um sistema de segurança que envolve escolta armada e vigilância eletrônica 24 horas por dia durante o processo de produção das provas.
Pois é, a palavra aí é “produção”. Quais seriam as exigências para a distribuição?
Mais de quatro milhões de esperançosos alunos inscritos, milhares de profissionais envolvidos em todo o país, e um investimento de mais de cem milhões de reais fadado ao fracasso desde o início, por incompetência não apenas do Consórcio, mas de quem o contratou.
No vídeo acima, sobre a rigidez e o sofisticado aparato de segurança do ENEM, ficou faltando a finalização do processo: A distribuição de caixas de provas, de fusquinha, nas periferias, por bravos e dedicados diretores de escola (sempre regiamente remunerados). Posso imaginá-los, nos confins do nosso país, carregando de um lado para outro pacotes e pacotes de provas…
Mesmo que o sistema de distribuição não tenha sido o que deflagrou o roubo da prova, uma operação como esta merece o fim que teve. Eu me pergunto se os espertalhões que roubaram a prova não tivessem procurado justo a imprensa, e a notícia não tivesse vazado, será que a prova teria sido cancelada? Pois então, palmas pra eles!
Quando foi cancelado o exame, todos os cadernos de questões já estavam impressos, a um custo de R$ 36 milhões, e, em parte, distribuídos. O Consórcio deve arcar com indenizações, ressarcimentos, etc. Perdeu, até agora, os R$ 5,8 milhões que havia depositado. E os cérebros por trás de toda essa pataquada, talvez tenham extraído algum aprendizado…
Por Liz Bittar em 10 de Outubro de 2009
FONTES:
FCAA - Definida toda a logóstica do Enem 2009
PROUNI – Universidade para Todos
INEP - Perguntas Frequentes sobre o ENEM
MEC - O Novo ENEM
Diário Virtual da Diretoria de Comunicação Social da Universidade de Uberlândia: O ENEM levou bomba antes da prova
além das especificadas no artigo.
por Liz Bittar
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