O FOGÃO E AS BOCAS
E se fosse comigo?
Posted on julho 24, 2010 by lizbittar
Um dia, quando menos se espera, pode acontecer. De madrugada, um telefonema. Do outro lado da linha, a voz embargada do filho: “Pai, vem me socorrer. Me envolvi em um acidente.” O susto é tão grande que você esquece de pedir detalhes. Ainda sonolento, tentando controlar o pânico, sai em di
O tempo não para!
Posted on maio 7, 2010 by lizbittar
Você fica olhando para o seu bebê por horas a fio, sentindo nada mais do que felicidade plena, e uma profunda paz? Você sorri cada vez que se lembra dele, cada vez que o vê, cada vez que o toca ou sente o seu cheirinho? Existe alguma coisa no mundo inteiro que consiga apagar o sorris
Poema Para Meu Filho
Posted on maio 7, 2010 by lizbittar
Você escreve cartas de amor? Eu escrevo, aos montes. Cartas, poemas, bilhetinhos. Despretensiosamente, quase uma catarse. Mas também recebo. Guardadas no coração, elas têm o poder de alimentar a alma por toda uma existência. Como a declaração de amor que encontrei ao despertar de uma feb
E NAS BOCAS… “É TUDO VERDADE”
A singela trovinha foi baseada em uma história real. Me disseram que é tudo verdade!
Relata não apenas a perspicácia de um menino traquina, de cinco anos de idade. Mais do que isso, é o retrato de como é preciso aprender, desde cedo, a lidar com as diferenças – especialmente quando o diferente é você!
Vejam só o que passa por uma cabecinha tão novinha…
Já faz tempo que o menino
Sabe de toda a verdade,
Da sua adoção, pequenino
Com muita naturalidade
Nunca teve pai postiço
E nem também natural
Achava, porém, tudo isso
Coisa muito normal
Foi na escola que aprendeu
Diferença e preconceito
Mas mentir nem lhe ocorreu
Quando indagado a respeito
“Conte tudo da sua casa,
Fale também da família”
A professora indagava
E a classe toda respondia
“Moro só com minha mãe
Só nós dois e ninguém mais.”
“Você não tem nem irmã?
Diga, então, cadê seu pai?”
“Minha mãe não sabe quem é
Não sabe nem se ele é vivo
Desconfiava de um tal Zé,
Mas o teste deu negativo”
Na sua santa ingenuidade,
Sem malícia ou artifício,
Na única escola da cidade
Cometeu “sincericídio”
Um mexerico instantâneo
Seguiu-se, sem dó nem pena
É raro tamanho escândalo
Em cidade tão pequena
Foi como acender um pavio
Que explodiu em tagarelice
“Onde é que já se viu
Tamanha sem-vergonhice?!”
Restou, então ao guri
Uma ou outra opção:
Ou pecar por mentir
Ou pecar por omissão
Pra calar a toda a gente
Passou, então, a responder
“Meu pai morreu de acidente
Antes mesmo de eu nascer!”
A mãe, compreendendo a criança
Não mentiu nem desmentiu
Entendeu que era fase da infância
E fez de conta que nem viu
A mentira deslavada
Passou logo a lhe incomodar
E enquanto o povo falava
Esperava a tal fase passar
“Pobre viúva!” “Que carma!”
“Que coisa mais deprimente!”
Como toda desgraça se alastra
Com essa não foi diferente
E a mãe acabou redimida
Pelas outras, de “boa família”
E passou a ser incluída
Em todas suas romarias
Que não eram religiosas
Nem voltadas à caridade
Eram horas ociosas
De fofocas no chá da tarde
A ausência da mãe era justa
Precisava trabalhar
Era uma pobre viúva
Com filho pra sustentar
Visando aumentar o drama
O menino, muito esperto,
Encheu de detalhes a trama
E o defunto virou Roberto
Foi então adicionando
Minúcias ao ocorrido
Dia, hora, onde e quando
E como foi socorrido
Era coisa de arrepiar
Mas mentira tem perna curta
O menino esqueceu de contar
Tais detalhes à viúva
A mentira impõe castigo
Pra poder manter a farsa;
Ter um olho no próprio umbigo
E o outro, no comparsa
Foi assim que um dia ouviu
A mãe responder, constrangida,
Perguntas em tom sutil
Sobre sua história de vida.
“Pobre João!” alguém exclamou
“Pobre João, que coitado!”
“Sim, pobre João”, concordou
A viúva do morto inventado
Lá de longe o guri disparou
Que nem bala, ou touro liberto
Ofegante, remendou:
“Não é João! É… é João Roberto!!”
Me juraram de pé junto
Que isso tudo é a mais pura verdade
Enterrado já está o defunto
Mas não a hipocrisia da sociedade.
Por Liz Bittar em 26.10.2009
por Liz Bittar
Conteúdo liberado, desde que mencionadas a autora e a fonte (www.lizbittar.com.br/bocasdefogao)
Publique os textos na íntegra - Respeite os direitos autorais!
ACOMPANHE O FOGÃO E AS BOCAS








