Entrevista: Retenção de Talentos
fev 5th, 2010 | By lizbittar | Category: EntrevistasLiz Bittar fala à Revista Segredo do Sucesso sobre RETENÇÃO DE TALENTOS
Carreira e Sucesso: A Imagem dos Negócios

QUANDO ELES SÃO INSUBSTITUÍVEIS
1) Desde quando o salário deixou de ser suficiente para manter um funcionário dentro de uma empresa?
Liz Bittar – Embora a questão financeira seja importante, um dado consistente nas muitas pesquisas realizadas com profissionais de RH e com executivos em geral, é de que dinheiro não é o principal motivo pelo qual as pessoas decidem mudar de emprego.
Os profissionais hoje buscam qualidade de vida, aliada à satisfação no trabalho. Administrar vida pessoal e profissional é um dado que aparece como prioridade, em todas as pesquisas. Já no tocante à satisfação no trabalho, uma grande parte recai sobre os líderes, que têm um papel crucial na prevenção do turnover. O gestor direto é considerado pelo funcionário como o principal canal para o seu crescimento dentro da empresa e, por esse motivo, o bom relacionamento com a chefia imediata, muitas vezes tem mais importância do que a compensação financeira.
Desafios constantes e perspectivas de crescimento são outros fatores que geram motivação e comprometimento. Os líderes devem inspirar confiança e possuir a habilidade de comunicar as metas da organização de maneira clara, além de manter uma política de constante feedback. A falta de feedback, aliás, é uma das principais causas de desmotivação e falta de comprometimento, pois vai nela uma mensagem implícita de que os superiores diretos não têm interesse no funcionário, a ponto de ajudá-lo a identificar e atingir metas de crescimento profissional e pessoal.
Por isso, diz-se que as pessoas não deixam seus empregos, mas sim os seus chefes!
2) Quais são os passos que a empresa deve seguir para transformar um funcionário comum em um talento?
Liz Bittar – Feedback constante e orientações claras quanto às metas organizacionais e metas pessoais de desempenho. Além disso, cursos de capacitação através de workshops, programas de treinamento e programas de educação continuada. As empresas devem dar o devido valor ao seu capital humano e intelectual, considerando a qualificação profissional como um investimento, e não uma despesa.
Os gestores também têm um papel crucial na identificação do potencial dos funcionários, e na criação de um ambiente de trabalho onde o funcionário se sinta inspirado e motivado a desempenhar o seu melhor.
Pessoas com grande potencial costumam se sentir desmotivadas depois de algum tempo na mesma função, quando a curva de aprendizado se estabiliza e os desafios diminuem. Para gerar um desenvolvimento contínuo, a função deve apresentar desafios.
3) Em sua opinião, quais outros atributos são necessários a um empregado para que o empregador resolva investir nele?
Liz Bittar – O empregador que “investe” no funcionário está, na verdade, investindo na própria empresa. É uma via de mão dupla, uma coisa não pode ser desvinculada da outra. O crescimento de um deve estar diretamente relacionado ao crescimento do outro.
O contrário não funciona: Ninguém se sente confortável em uma empresa que só pensa no seu próprio lucro sem considerar as necessidades de seus funcionários, ou trabalhando com alguém que só leva em conta os seus interesses pessoais, desconsiderando os interesses do grupo e da empresa.
Para ser um profissional de destaque, em qualquer área de atuação, é necessário, antes de mais nada, dedicação e real interesse. Um funcionário que se sobressai é aquele que busca resultados quantitativos e qualitativos, ou seja, o bom relacionamento no trabalho e o empenho na construção e manutenção de um ambiente de trabalho produtivo e respeitoso.
Mas, por outro lado, a empresa deve ter em conta que o seu sucesso é, na verdade, o resultado do trabalho de cada um de seus colaboradores. Se, por um lado, espera-se do funcionário comprometimento, dedicação e interesse, a empresa, por sua vez, deve dar o devido valor ao seu capital humano, recompensando o bom desempenho e propiciando o crescimento e o desenvolvimento de seus colaboradores.
4) Quais outros benefícios podem ser oferecidos aos funcionários talento para que esses continuem na empresa?
Liz Bittar – O primeiro passo é escolher as pessoas certas para cada função. Uma pessoa que goste de assumir riscos não se adapta a uma função burocrática que não apresente desafios, por exemplo.
Das práticas de retenção de capital humano adotadas pelas empresas, as que têm obtido maior sucesso são:
- A promoção de funcionários qualificados ou dos talentos promissores
-
A disponibilização de oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional, através de programas variados de treinamento
-
Flexibilidade de horários
-
Possibilidades de crescimento na carreira
-
Remuneração competitiva.
Isso, aliás, está de acordo com os índices apontados nos rankings das melhores empresas para trabalhar, tanto as brasileiras quanto as estrangeiras. Esses índices indicam que os profissionais mais talentosos optam por empresas que assegurem:
- Desafios constantes
- Crescente responsabilidade aos gestores e
- Ampliação de suas experiências.
5) Quais são os prós em investir em um funcionário? O que o empregador perde com isso?
Liz Bittar – Empresas são feitas por pessoas. A empresa que valoriza seus talentos está trabalhando em causa própria. O empregador só tem a perder quando não valoriza, recompensa e desenvolve o seu capital humano.
A gestão do capital humano é estratégica e é um diferencial competitivo. Perder talentos custa caro! E os custos de reposição são altos: não me refiro ao processo de recrutamento, seleção, entrevistas, mas à perda de produtividade com a saída de um talento-chave de uma organização. Some-se a isso o impacto junto aos clientes internos e externos, e a baixa produtividade até o novo funcionário atingir autonomia na função, para citar apenas alguns exemplos. Ainda temos que considerar a gestão do conhecimento das empresas, a coesão cultural, sua identidade institucional, tudo isso é afetado quando o turnover é alto.
por Liz Bittar
Conteúdo liberado, desde que mencionadas a autora e a fonte (www.lizbittar.com.br/blog)
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Oi Liz
Gostei muito do seu post e concordo com os pontos que colocou aqui. Neste momento estou passando por uma satisfação parecida em meu trabalho. Considero não continuar na empresa por conta de nao encontrar interesse da mesma justamente nestes pontos em que levantou. Meu trabalho, esforço e dedicação são poucos valorizados diante das outras funções mas o que principalmente me incomoda é o fato de que meu superior nao sabe de fato o que eu faço e como o meu trabalho se relaciona com o dos outros, isso me deixa muito insatisfeita e inquieta. Outro fator é o de que me parece que o trabalho da empresa não é laevado a serio tambem. Não há compromisso com qualidade, organização, metodologias, prazos e metas. As coisas são simplesmente feitas de qualquer jeito e o pior á hipocrisia existente, onde se passa por cima das falhas, que sob meu ponto de vista são imperdoaveis, e a pessoa e capaz de acreditar que seu trabalho é excelente, e que ele é o melhor e ganha pouco.
Gostaria de seu comentario a respeito disso.
Abraços
Fabia
Olá Fabia,
Relatos como o seu são mais comuns do que imagina.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a questão financeira não é sempre determinante para a mudança de emprego: a falta de confiança na liderança, e problemas de relacionamento com o superior direto figuram sempre entre os principais motivos.
Cabe aos líderes formar equipes coesas e motivadas, e promover um ambiente de trabalho que propicie o comprometimento, o desenvolvimento e a alta performance de seus liderados.
Situações de baixo desempenho, absenteísmo, alto turnover, problemas de comunicação, dificuldades na relação com o trabalho e com a organização, falta de comprometimento/motivação e problemas de relacionamento nas equipes, são sintomas de uma liderança ineficaz. Por isso os programas de formação de líderes são tão importantes para a preparação de gestores realmente comprometidos com resultados qualitativos, e não apenas quantitativos.
Quando o problema é restrito ao relacionamento entre funcionário e gestor direto, a mudança para outro departamento pode ser a solução. Quanto, entretanto, o funcionário não se adequa à cultura organizacional, o sentimento de frustração pode ser determinante para que ele decida sair.
A satisfação no trabalho envolve a adequação do funcionário (seus valores, crenças e características pessoais de personalidade) à cultura organizacional (valores, crenças, regras, comportamentos adotados, estilo de gestão, etc, que identificam a forma de uma organização funcionar e trabalhar).
Portanto, é preciso analisar se a sua insatisfação está circunscrita à forma e às relações de trabalho com aqueles com quem você tem contato direto, ou se há divergências entre os seus valores e crenças pessoais, e os defendidos e praticados pela organização.
Por outro lado, vale lembrar que as diferenças e os problemas de comunicação podem – e devem – ser trabalhados. Refiro-me a problemas de comunicação, porque eles geram insatisfação e desgaste nas relações (não sentir-se reconhecida pelos seus esforços é um exemplo de má comunicação).
A comunicação eficaz será um desafio constante, não apenas no seu trabalho atual. Você só irá ganhar ao se dedicar a aprimorar a sua comunicação, aprendendo técnicas, fazendo uma reflexão sobre sua conduta, postura, forma de tratar os demais, sua receptividade às necessidades alheias, a forma como expressa as suas necessidades e sentimentos, e a forma como interpreta os demais.
Através do diálogo respeitoso, franco e aberto, é possível obter o comprometimento das partes com a criação de ambientes de trabalho mais positivos; isto pode beneficiar a todos.
Liderar é comunicar - essencialmente. Para galgar posições de liderança, um bom começo é desenvolver habilidades de comunicação, e trabalhar a imagem profissional. Dois textos que, espero, possam te ajudar são COMUNICAR E OUVIR e IMAGEM E REPUTAÇÃO.
Seja qual for a sua decisão, desejo muita sorte e sucesso,
Liz