Mulher de 50

out 27th, 2009 | By | Category: Em Destaque, Happy Hour, Reflexões

por Liz Bittar

Seus 50 anos chegaram
E com eles, a desilusão
De presente de aniversário
Um pedido de separação

O marido, tão amado
Encontrara um novo amor
E partiu com sua Barbie ao lado
Deixando-a com o espelho e com a dor

O bem sucedido empresário
Agora com grana e poder
Esqueceu-se que foi comerciário
E ela o ajudou a crescer

Revoltada, indignada
Pelo esquecimento e traição
Decidiu dar uma guinada
E ensinar-lhe uma boa lição

“A santa que fui, não sou mais
Isso do que me valeu?
Vou fazer o que a Barbie faz
A rainha do lar já morreu!”

Vingança era a sua meta
Valia qualquer esforço
Começou onde a dor mais apertamumia
Pra ele era, claro, no bolso

Com a Barbie como modelo
Correu atrás do prejuízo
Pôs peito, tingiu o cabelo
Tirou a barriga com lipo

Pôs botox, clareou os dentes
Tirou as olheiras profundas
Trocou óculos por lentes
E levantou até a bunda

A recauchutagem premente
Com base no preço oneroso
Resultou em dois presentes
O segundo, bem mais saboroso

Nova por fora e por dentro
Foi viver uma outra vida
Mudou até de apartamento
E tratou de curar a ferida

Começou por reaprender
A arte de conquistar
“Ele agora vai ver!
Eu vou é namorar”

Mulher alta, exuberante
Saía sempre arrumada
Com roupa extravagante
Preparada para a caçada

“Se ele quis uma Barbie
Então eu também vou ter
Quero um cheio de charme
Um garotão de 23.”

E foi atrás dessa meta,
“É possível, por que não?
Agora, pareço minha neta
E quero um bem saradão.”

No metrô foi enfim paquerada
Por um jovem bonito e bem alto
Mas ouviu, em vez da cantada:
“Passa a bolsa, isso é um assalto!”

Conheceu um pretendente
Com as amigas num bar
Que comeu e bebeu, sorridente
E foi embora sem pagar

Tentou na academia
E acenou pra um garotão
Ficou feliz, até ver que ele vinha
Com a bandeja na mão

Na loja foi abordada
Por um jovem encantador,
Que sorrindo, a elogiava
Ele era o vendedor

Foi na internet que viu
Homem lindo e compreensivo
Pena que descobriu
Que ele também procurava marido

“Mas será o Benedito?
Desse jeito, não vai dar!
Acontece sempre comigo,
Será que vou ter que apelar?”

Desistir já não mais era
Palavra que conhecia
E foi pro Ibirapuera
Pra ver o que conseguia

No banco sentado, vistoso
Viu um belo exemplar
E foi puxar prosa com o moço
“Não custa ver no que dá…”

Moço educado e sensível
A levou a confessar
Que estava disponível
Mas queria mesmo é casar

Ele disse que a declaração
Era o sinal de bons ventos
Pois também buscava união
Pro seu pai, viúvo há tempos

Que bom que já estava sentada
Senão poderia cair
Deu uma risada sem graça
Pronta pra se despedir

Mas ele não arredou pé
Foi tanta a empolgação do moço
Que ela abriu mão do filé
E aceitou ficar com o ossoa-mulher-e-o-pretendente

Quanto tempo ficou em obras
Pra reconstruir o corpão…
E agora, restavam-lhe as sobras
Virar babá de ancião!

Quando chegou o grande dia
De encontrar o tal fã
Pôs na bolsa, por garantia
Fraldão e Lexotan.

Pra encurtar o assunto
Que já se alongou demais,
Hoje vivem os dois juntos
Na mais perfeita paz

Seu medo não se concretizou
Ela não virou enfermeira
Mesmo assim, depois que casou
Voltou a ser cozinheira

O marido tem bom humor,
Quando não está com dor nem com fome
A chama de “meu bem” e de “amor”
E, quando lembra, até pelo nome!

Saiu do regime tão rígido
E engordou sem se preocupar
O peito um pouco caído
Sem óculos, não dá pra enxergar

Parou de tentar ser
Uma coisa que não era
E resolveu apenas viver
A madura primavera

Temos nós todas um pouco
Dessa mulher de cinqüenta
Com dias de grande sufoco
Em que nem a gente se agüenta

É duro ajustar-se à estética
Em voga na sociedade
De forma suada e patética
Aparentar 20 anos de idade!

Faz tempo, perdemos “a manha”
O corpinho dos 20 e o viço
Mas nunca a grande façanha
De nos reinventarmos a cada ciclo!

por Liz Bittar em 27/10/2009
Conteúdo liberado, desde que mencionadas a autora e a fonte (www.lizbittar.com.br/blog)
Publique os textos na íntegra – Respeite os direitos autorais!

DÊ O SEU VOTO

COMENTÁRIOS ABAIXO

ASSINE PARA RECEBER ATUALIZAÇÕES POR EMAIL

Informe o seu email:

…………………logo_livechat2

facebook....................follow-me...............linked_in

7 Comentários
Deixe seu Comentário »

  1. Em conversa com uma amiga virtual, me lembrei de uma brincadeira que eu fazia: Aos 42, diga que tem trinta e doze.
    Aos 43, diga que tem trinta e treze.
    Que pena… Agora só posso brincar de novo quando tiver quarenta e doze (ai….)

  2. É…Por isto q não devemos nos considerar limitadas. Vamos envelhecer com dignidade,sabendo que “QTO MAIOR A ARVORE MAIS PROFUNDA A SUA RAIZ” (prov.japones), e vendo o avanço da idade de forma positiva=SABEDORIA! Isto é melhor do que qualquer creme anti-rugas,e botox… Pior do que alguém de mais idade é uma pessoa que enxerga tudo como se não houvesse solução aparente…A idade é a gente que faz…Qtos jovens por aí já acabados e deprimidos…”É O Q SENTIMOS NO ÍNTIMO Q DETERMINA A IDADE Q TEMOS. TUDO DEPENDE MAIS DE COMO VC SE SENTE DO Q QTOS ANOS VIVEU!”-as rugas mostram sabedoria e não velhice…olhemos por este prisma…e vamos acabar com esta coisa de se cuidar na aparencia e por dentro estar pôdre…-VEJA O MODELO DA LIA LUFT E DA FERNANDA MONTENEGRO,ENTRE OUTROS…CURTA A MATURIDADE ! temos mto q ensinar e doar!bjs.

  3. Liz,
    Pura verdade ! Que atire a primeira pedra a cinquentona que não enfrentou pelo menos uma destas situaçõezinhas acima! rsrsrs. Ótimo texto!
    abraços
    Virginia Costa

  4. Prezada Virginia,
    Concordo com vc – mas não somos cinquentonas… somos, no máximo, “cinquentinhas”, vai…
    Aproveitei e fui conhecer o seu site (virginiacosta.com.br) e gostei muito do que vi – parabéns!
    Um abraço,
    Liz

  5. Olá, todas!!!
    Mesmo início de história! após virar doutor, ele achou que meu prazo de validade vencera. Arranjou uma bem mais jovem, é um vovô com uma de 52!!!
    Depois chorar muito, percebi que, se ele se comportara de tal forma com quem sempre o ajudou, fez sacrifícios mil, eu não perdera grande coisa. Parei com a tristeza pensei em tudo que deixei de fazer em prol da família.

    Fui em busca do tempo e prazer perdidos: passei a fazer tudo o que queria e gostava. Voltei para minha São Paulo, que havia deixado pelo emprego dele; recomecei a faculdade, abandonada para ajudá-lo a terminar a dele. Estudei muito, fui aprovada em concurso público.

    Hoje??? É outra história!!! De bem com a vida, adoro meu emprego, minha liberdade, privacidade. Cozinho se tiver vontade ou como fora; assisto filmes ou leio até de madrugada sem ninguém para reclamar da luz acesa. Hoje sou a verdadeira rainha do lar: do MEU lar.

    Colegas com o mesmo início de história, convençam-se de uma coisa: nascemos sós, únicas, sem ninguém grudado a nós. Portanto, depois de 20 ou 30 anos de “grude”, desgrudar não significa fim de vida mas… RECOMEÇO!!! O resgate de nós mesmas. Portanto, curtam-se, amem-se!
    Abraços,
    Silvana

  6. Ah, desculpem-me: corrigindo a mensagem acima, ele hoje é um vovô de 52 anos com uma mulher de 25!!!

  7. É isso aí, Silvana! Não é fácil pra ninguém se reinventar, mas vc é uma inspiração!
    Abraço,
    Liz

Deixe seu Comentário