Fui promovido. Agora, sou Líder!
out 24th, 2009 | By lizbittar | Category: Em Destaque, ReflexõesAudio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
Ainda ontem, participei de um debate iniciado pelo consultor Cleyson Dellcorso (www.dellcorso.blogspot.com) com a seguinte frase: “Acredito que as empresas que utilizam o termo LÍDER como função, terão sérios problemas no futuro.”
A afirmação logo atraiu minha atenção. Concordo com ele. Você já pensou nisso? Pra você, ser líder é função?
Um outro comentário que me chamou a atenção, foi do também consultor, Mario Persona (www.mariopersona.com.br/cafe) : “Gerenciar é função. Liderar é liderar. Um gerente pode não ser um líder e um líder pode não ser um gerente. Líderes de verdade não necessariamente lideram: criam liderados. Gerentes necessariamente gerenciam até aqueles que não querem ser gerenciados.”
Se você está enfrentando dificuldade na “árdua tarefa de liderar”, talvez seja a hora de mudar o enfoque. Tome, como ponto de partida, os dois comentários acima. Liderar não é tarefa, nem atribuição. Não depende de hierarquia. Nem o título, nem a tão sonhada promoção vão fazer de você um líder.
Nenhum cargo de liderança traz implícito o respeito e a admiração de seus agora “liderados”. Nem assegura o poder de influência, só porque na descrição de cargos o líder é classificado como “superior” e o time, como “subordinados”.
Liderança não se impõe; se conquista. Independentemente de posição hierárquica, nível social ou formação acadêmica, lideranças se formam em todos os níveis, despontam naturalmente nas fábricas, nos movimentos sociais, sindicais, nas escolas, grêmios, associações. Sem promoção.
Mesmo que você não seja um líder nato, ou um comunicador como o Silvio Santos, mesmo que não tenha o carisma de Gandhi, ainda resta uma esperança: competências podem ser aprendidas e desenvolvidas. Você pode adquirir habilidades de liderança.
Vou te propor um exercício simples: Pare por uns instantes e tente se lembrar de alguém que tenha deixado marcas na sua carreira profissional. Alguém em quem você tenha se espelhado, que você admire e respeite. Lembrou? Pense, agora, no comportamento desta pessoa. O que ela fazia que tanto te encantava? Que posturas adotava, que te faziam respeitá-la? Viu só? Você está identificando as habilidades de um líder.
O contrário também vale: pense agora em um chefe cujas lembranças não são as melhores. Ele, provavelmente, adotava comportamentos que os líderes devem evitar.
Alguns comportamentos afastam as pessoas, criam ambientes de trabalho negativos, improdutivos. Pessoas que atribuem sua ascensão profissional exclusivamente à própria capacidade, são as que normalmente adotam essas posturas. Não são líderes. São solitários, circunstancialmente em posição de liderança.
Para desenvolver habilidades de liderança, o ponto de partida é ter um interesse genuíno pelas pessoas. Sei que isso pode parecer difícil e às vezes até mesmo desnecessário, quando existe a pressão por resultados. Mas tenha como pressuposto básico a compreensão de que são as pessoas que irão te ajudar a atingir esses resultados.
O líder – aquele que cria liderados – consegue não só resultados, mas qualidade. Inspira, motiva, orienta, gera comprometimento, respeita, reconhece esforços, valoriza e recompensa.
Para fazer isso não basta falar – ou comandar. É preciso ouvir. Mas ouvir de verdade, prestando atenção. Porque, para criar liderados, é preciso primeiro criar relacionamento.
Pense em exemplos de lideranças que tenham surgido em movimentos sociais, sindicais ou políticos, por exemplo. O que todos esses líderes têm em comum? O dom da oratória, o conhecimento, a experiência? Não.
Eles não “se tornaram” líderes. Eles “foram feitos” líderes, por obra e graça de seus seguidores. Não são causa, são efeito. Sabe qual é a causa? Os liderados se identificaram com eles, daí “os tornaram” seus líderes.
A liderança surge a partir dessa identificação, da comunhão de valores, interesses, crenças e aspirações. O líder consegue representar seus liderados, dar voz aos seus anseios e defender seus interesses, porque é um deles.
Consegue inspirar gerando uma visão comum, aspirações comuns, interesses comuns. Não é espectador, é partícipe. É claro que impõe limites (orienta), claro que aponta erros (dá feedback), claro que comanda (coopera). Sabe se comunicar como ninguém (ouve), sabe mandar (respeita) e sabe extrair o melhor de seus liderados (valoriza). É alguém que vale a pena seguir (dá o exemplo).
Líder que é líder gosta mesmo é de multidão. De todo mundo ao lado, parece que anda sempre em bando. É porque para ser líder, é preciso, primeiro, gostar de gente.
por Liz Bittar em 24.10.2009
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